Fernando Mineiro 06 de maio de 2008, às 8h08

” Era impossível. Ele foi lá e fez” (*)

Circunstâncias políticas muito particulares fizeram com que o PT de Natal protagonizasse a mais ampla aliança partidária da história eleitoral contemporânea de nossa cidade.

A ausência de candidaturas fortes tanto do PSB como do PMDB, que galvanizassem apoios e oferecessem reais condições de vitórias a um desses partidos de forma isolada, possibilitou o fortalecimento e a concretização da tese de unificação da base aliada do Presidente Lula em torno de uma candidatura do PT. Para além das diferenças e divergências locais, falou mais alto a unidade política em torno de um projeto de caráter marcadamente nacional, agora em 2008 e em 2010. E coube ao PT o papel histórico de servir de argamassa para a união entre PSB, PMDB e demais partidos.

A despeito de, ainda, não contar com outros partidos que fazem parte das forças de sustentação do Governo Lula como o PMN, o PR, o PP, e o PDT, a aliança formada, por reunir as maiores lideranças do PSB e do PMDB ( a Governadora Vilma de Faria, o Prefeito Carlos Eduardo, o Senador Garibaldi Alves e o Deputado Henrique Alves ), muda o azimute da disputa eleitoral deste ano, com fortes reflexos e compromissos nos embates de 2010.

A tese da reprodução da base aliada do Presidente Lula aqui em Natal foi sonhada e defendida pela primeira vez pelo Presidente Estadual do PT, o nosso Geraldão, em abril do ano passado.

Recebida com incredulidade, senão com rejeição, pelas lideranças de todos os partidos (e me incluo entre os então incrédulos), esta tese só ganhou força, faça-se justiça, quando assumida pelo Prefeito Carlos Eduardo (PSB) no início deste ano.

Respaldado por uma boa avaliação de sua administração, ao não declarar apoio à pré-candidatura de Rogério Marinho e ao manter conversas informais com lideranças do PT e do PMDB com vistas a construção de uma outra candidatura, Carlos Eduardo teve papel decisivo na redefinição de seu partido, o PSB, e na concretização da tão sonhada aliança.

O resultado de todo este processo foi a unificação do PT, PMDB, PSB e PC do B em torno da candidatura de Fátima Bezerra.

Para além das resistências, das dificuldades, dos atropelamentos das dinâmicas partidárias e dos caminhos tortuosos seguidos até chegarmos aqui, importa agora ressaltarmos a positividade e a importância dessa aliança e a grandeza das atitudes de renúncias das lideranças dos todos partidos envolvidos neste projeto.

É preciso ter a consciência de que, até o momento, tão somente iniciamos a organização de nosso time, preparando-o para o difícil jogo eleitoral. Mas o time ainda não está completo e precisamos conquistar mais parceiros.

Precisamos, sobretudo, convocar e convencer a jogar do nosso lado o mais importante ator desde jogo: o eleitorado natalense.

Engana-se quem pensa que aos (às) eleitores (as) está reservado apenas um lugar na arquibancada. Vencerá a disputa quem incorporar de forma ativa e participativa as mais amplas parcelas da população neste processo eleitoral. A unificação das direções partidárias em torno de um mesmo projeto é o passo inicial. E que passo foi dado ao conquistarmos a unidade das principais lideranças da base aliada do Presidente Lula! Agora, precisamos conquistar a sociedade natalense. E para isto é necessário que a unidade alcançada nas cúpulas partidárias se capilarize e se reproduza nas nossas bases de apoio, em cada bairro e cada rua de Natal.

Unificados que estamos em torno de um nome precisamos, urgentemente, nos unificarmos em torno de projetos político-administrativos para Natal. O debate programático ocupará um lugar decisivo na atual disputa eleitoral. A sociedade natalense se mobilizará ao lado das forças políticas que se identifiquem e dialoguem com seus anseios e aspirações.

Questões relacionadas ao desenvolvimento urbano e sustentabilidade; qualidade de vida e cidadania; emprego e distribuição de renda; saneamento ambiental e saúde; segurança, educação, ciência, esporte, lazer e cultura; participação e controle social; direitos humanos e sociais; gênero, raça, juventude e opção sexual, entre outros temas, ocuparão o centro dos debates sobre a cidade que queremos.

E partimos de um patamar que nos dá uma grande vantagem. Nossa candidata é reconhecidamente a parlamentar federal que mais trabalha e articula projetos e obras para Natal e conta com o apoio do Prefeito Carlos Eduardo, que tem uma administração positivamente avaliada pela população. Some-se a isto os apoios da Governadora Vilma e do Senador Garibaldi Alves, as experiências positivas e inovadoras das administrações petistas pelo Brasil afora e, o mais importante, o apoio do Presidente Lula e teremos, então, um forte capital político para o início de nossa campanha.

Só depende de nós a elaboração e a apresentação de uma plataforma política capaz de convencer e apaixonar a sociedade natalense, criando um amplo movimento político, cultural e social que reafirme o desejo de avançar rumo à conquista de uma cidade saudável, socialmente inclusiva e economicamente sustentável.

E não partimos do zero. Os programas em andamento em nossa cidade, os projetos elaborados ao longo dos anos pelo PT e pelos partidos aliados, as propostas apresentadas pelos então pré-candidatos Hermano Morais e Rogério Marinho devem servir de ponto de partida para a elaboração de nosso Programa de Governo, concreto e realizável. Aliás, penso que deve-se convidar Hermano e Rogério para ocuparem lugares de destaque em nossa campanha.

Quando apresentei minha pré-candidatura ao partido, eu disse que minha intenção era animar a militância petista e contribuir para que o nosso partido assumisse um papel protagonista em nossa cidade, realizando os sonhos de toda uma geração de militantes. E disse, ainda, que abriria mão de minha postulação para qualquer petista que somasse mais apoios do que eu.

Fátima Bezerra, por diversas razões, foi quem assumiu este papel e hoje tem um desafio infinitamente maior do que aquele a que me propus: animar o conjunto da militância de todos os partidos que formam nossa aliança. E Fátima tem todas as condições para assumir a condução deste processo. Não é por acaso que foi o seu o nome que teve a capacidade de unificar este conjunto de partidos. Todos sabemos de sua capacidade de trabalho, de sua dedicação e de sua garra.

Mas o desafio de colocar o bloco na rua não é só de Fátima Bezarra. É de cada um (a) e de todos (as) nós.

Quanto a mim, estou à disposição da candidatura de Fátima e de nossos(as) candidatos (as) a vereador (a). Com muito mais disposição e esperança do que em 96, do que em 2000 e do que em 2004.

Esta é a hora e a vez do PT.
À vitória!

Fernando Mineiro – militante do PT

Natal, 4 de maio de 2008.


(*) Conta a lenda que esta (ou algo parecido) foi uma das inúmeras inscrições em um muro em Paris, há 40 anos. Era maio de 68. E eu não tenho porque duvidar das lendas.

3 Comentários para “A vez do PT em Natal”

Evânio Mafra 8/5/2008 às 3:16 pm


É… Certa vez, após um comício, ouvi um eleitor versar sobre política partidária: Estar/viver em lados opostos é o mesmo que possuir uma ponte sem a certeza que ter/precisar atravessá-la. Por isso é preciso conservar a ponte sempre em bom estado, pois um dia pode-se querer atravessar.

O PT está de parabéns pela maturidade política que apresentou com a costura da aliança, mas, o que todos nós militantes – quero dizer, pelo menos eu – querem é não ver nossos sonhos, nossos trabalhos (todos os petistas que construíram nossa história local e sempre estiveram nas trincheiras, principalmente nos tempo smais difíceis), nossas lutas tão distante do “modo petista de governar”. Queremos sentir a inversão de prioridades, discutir a cidade para os natalenses, não maquiá-la e não deixar o poder ofuscar o brilho da nossa estrela.

Na minha humilde opinião, e sem maniqueismo nem puxasaquismo, o nobre Deputado é o mais qualificado para ocupar o Executivo Municipal, mas, se as condições não são favoráveis, dar-se tempo ao tempo e reza-se para que a Deputada Fátima tenha sucesso nas eleições e na administração.

JÂNIO BASILIO DOS SANTOS 26/5/2008 às 5:14 am


Tudo que foi comentado no texto “a vez do PT em Natal”, tem uma consistência muito grande. As união dos partidos em torno de um candidato do PT é oportuna, mas , na minha opinião, o nome escolhido não irá alcançar sucesso e/ou conquistar o eleitor natalense.
Sou um observador e militante solitário do PT. Estava preparado para trabalhar numa possível candidatura do Deputado Fernando Mineiro para a Prefeitura de Natal. Como petista, quero o bem para o meu partido; até porque ele representa as minhas aspirações ideológicas e sociais; mas não querendo ser pessimista, mas realista: a única coisa que existe de incoerente neste arcabouço político, é o nome da nobre Deputada Fátima Bezerra. Na minha opinião, sincera e visionária, o combustível dos partidos coligadas(raposas velhas), servirá apenas para queimá-la e não elegê-la.Apenas a figura do Prefeito Carlos Eduardo me parece sincera, o restante não acrescentará nada a candidatura de Fátima, até porque o PT tem que perceber a grande rejeição de deputada.Ela,cada vez que aparecer na TV, perderá votos. Não pensem ao contrário. Poço está enganado; mas o candidato do PT que hoje reúne melhores condições para ganhar uma eleição, que possui uma empatia com o povo natalense, chama-se Mineiro. Infelizmente perderemos mais essa oportunidade.
Somos maiores do que a soma; somos uma idéia !

Blog Do Mineiro » Duas razões para a derrota 10/10/2008 às 6:21 am


[...] no dia 6 de maio, três dias após o anuncio da aliança escrevi o texto “A hora e a vez do PT (veja aqui). Entre outras coisas, ali eu disse que “….Para além das resistências, das dificuldades, dos [...]

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