Fernando Mineiro 25 de julho de 2008, às 11h11

Já está no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, e no site do Ministério Público (www.mp.rn.gov.br), a denúncia contra 22 pessoas acusadas de fazerem parte do esquema de pagamento de propina durante o processo de votação do Plano Diretor de Natal.
Deflagada pelo Ministério Público Estadual, a chamada Operação Impacto resultou, após mais de um ano, na denúncia contra 13 vereadores e mais 9 pessoas, entre elas empresários e assessores parlamentares, arrolados como corruptos e corruptores. Só as conclusões do processo é que apontarão a culpabilidade, e a consequente punição, de cada um dos denunciados.
Dos vereadores citados, 12 são candidatos à reeleição. Quando se fala neste assunto, sempre surge uma pergunta óbvia: as denúncias terão impacto na reeleição desses vereadores?
Torço para que os envolvidos neste processo não sejam reeleitos. Mas, sinceramente, não ficarei surpreso se ocorrer o contrário. Até gostaria de estar enganado, mas penso que a maioria dos votos desses vereadores não muda de imediato diante de situações como esta. Infelizmente.
Isso não quer dizer que operações como a Impacto sejam inúteis e não levem a nada. Ao contrário. Ações como esta são de fundamental importância para o processo de aperfeiçoamento e consolidação da democracia e da cidadania. São politicamente educativas, mesmo que não resultem em imediata punição dos culpados. Isto porque, para além da revolta e da indignação, a sociedade amadurece, e pode se tornar mais atenta e exigente na escolha de seus representantes.
E o atual momento é bom para o exercício de separação do joio do trigo, tendo em vista estarmos em pleno processo eleitoral.
Se cada um de nós contribuir para a divulgação do que ocorreu durante a votação do Plano Diretor de Natal, a sociedade natalense escolherá melhor os seus representantes.
Nem precisaremos esperar pela decisão sempre demorada da justiça para ver a punição da “bancada do concreto”. No próximo 5 de outubro poderemos extinguir por completo a sua representação na Câmara Municipal. Basta que elejamos 21 vereadores e vereadoras que respeitem e honrem a nossa cidade. Simples assim.

2 Comentários para “Terá impacto?”

Júnior 27/7/2008 às 9:37 pm


Não acredito no envolvimento do Vereador Edivan Martins nesse escândalo. Acho que estão fazendo uma enorme injustiça com Edivan. Ele votou a favor dos vetos estabelecidos ao Plano Diretor. Pelo que eu observei nos textos, Edivan Martins naquele momento estava tentando com muita habilidade tirar os outros vereadores do PV da órbita dos líderes do grupo que votou contra os vetos. Ele estava caminhando num terreno minado! Acho que Edivan foi sensato e buscou uma posição política mais favorável, decidindo firmar posição junto ao Prefeito Carlos Eduardo. Qualquer político experiente faz isso!!! A realidade é que o mundo da política é extremamente complexo. As coisas não são simples. Estou convencido que Edivan Martins não se envolveu de maneira nenhuma nesse esquema. Se ele tinha conhecimento do esquema de corrupção eu não sei exatamente. Mas quem teria coragem de enfrentar essa gente extremamente perigosa? A polícia garantiria durante 30 anos a vida do vereador que denunciasse todo o esquema? São questões muito complicadas. Existe é muita demagogia. Nessas horas aparecem vários políticos vendendo uma imagem puritana. Para encerrar, acho que Edivan provará a sua inocência. Um abraço.

Jean 29/7/2008 às 8:57 pm


Deputado li uma noticia que o senhor foi o principal negociador na greve dos servidores da administração indireta, o que é admirável. Seria interessante que o senhor se inteirasse da situação dos Técnicos de Nível Superior da administração direta que são menos de 700 e estão há mais de 12 anos sem aumento e ganho apenas um salário mínimo. É importante dizer que durante o Governo de Geraldo Melo ao salário equivalia a 10 salários mínimos. É interessante propor um mínimo de dois mil reais e um plano de cargos e salários.

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