O PT/Natal sofreu a mais dura derrota eleitoral em toda sua história: além de sermos mais uma vez derrotados na disputa para o Executivo, perdemos nosso espaço no Legislativo Municipal, onde tínhamos representantes nos últimos 20 anos. O reconhecimento da dimensão dessa derrota é condição inicial para realizarmos uma profunda avaliação dos fatos que nos levaram a ela.
Mais do que indicar responsáveis pela derrota, a avaliação que precisamos realizar deve nos apontar caminhos a seguir para que o PT, como uma instituição importante no cenário nacional, se coloque à altura de assumir um lugar de destaque no protagonismo político em nossa cidade.
E isto só será possível se realizarmos um debate o mais aberto e franco possível, onde todos(as) possam ser ouvidos(as). Aqui, então, a primeira tarefa para as nossas direções partidárias: instaurar o processo de avaliação das eleições 2008, incentivando a participação não só de nossos(as) filiados(as) mas, também, de simpatizantes e amigos(as) do partido.
Tenho ouvido explicações pra todo gosto sobre a nossa derrota. Todas procedentes. A pouca participação da militância, a não empolgação da sociedade, os índices de rejeição à candidata e à aliança, a falta de coordenação e de estrutura, a não participação de candidatos a vereadores(as), o desempenho nos debates, o marketing, a mobilização, a falta de propostas mais concretas, a não participação das lideranças dos bairros e demais movimentos sociais, o apoio de parte da mídia à adversária, etc.,etc., etc.
Acho mesmo que tudo isso, e muito mais, pesou e contribuiu para a nossa derrota. A lista dos motivos pode não ter fim, se focarmos o nosso olhar em questões pontuais. Mas penso que tais questões são consequências e não causas. Isto quer dizer que temos a obrigação de buscar as razões que determinaram que a nossa campanha fosse a que foi e não outra. E longe de mim entrar no terreno pantanoso do “se tivesse sido assim…” . Aliás, gosto muito daquele ditado que fala sobre como é bom e fácil fazer a foto ao lado da onça morta.
Voltemos, então, às tentativas de encontrarmos as razões da derrota, lembrando quem já nos ensinou que, nesta busca, é preciso ter o cuidado para que não se derrote a razão.
Penso que são duas a principais causas de nossa histórica derrota.
A primeira é anterior ao processo eleitoral em si. Refiro-me ao afastamento e isolamento de nosso partido em relação a grande parte da sociedade natalense. Venho, há tempos, falando sobre isto e aqui vou repetir: o PT precisa retomar o diálogo com a cidade. Existe um divórcio entre o partido e parcelas da sociedade local. O PT/Natal não conseguiu acompanhar as mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais ocorridas em nossa cidade neste início de milênio. A composição social do PT (em sua grande maioria formado por servidores públicos) é a mesma desde o seu início e isto o torna impotente para responder às atuais demandas da cidade. É preciso dialogar e interagir com outros setores, com os mais variados movimentos sociais e, em particular, com a juventude da cidade. O PT, para ser forte e representativo em Natal, deve incorporar e refletir a pluralidade e complexidade de uma cidade como a nossa. Após esta tragédia eleitoral espero que seja mais fácil falar sobre isto. Cabe à atual direção municipal promover um profundo processo de renovação do partido. Ou isso ou abdiquemos de fazer política em Natal.
A segunda razão de nossa derrota diz respeito à forma como foi feita a aliança da base de sustentação do Presidente Lula. Correta e positiva do ponto de vista político, a aliança acabou tendo conotação negativa perante a sociedade. O fato é que não conseguimos convencer a maioria dos(as) natalenses de que o nosso projeto era o melhor pra cidade.
Já no dia 6 de maio, três dias após o anuncio da aliança escrevi o texto “A hora e a vez do PT (veja aqui). Entre outras coisas, ali eu disse que
“….Para além das resistências, das dificuldades, dos atropelamentos das dinâmicas partidárias e dos caminhos tortuosos seguidos até chegarmos aqui, importa agora ressaltarmos a positividade e a importância dessa aliança e a grandeza das atitudes de renúncias das lideranças dos todos partidos envolvidos neste projeto.
É preciso ter a consciência de que, até o momento, tão somente iniciamos a organização de nosso time, preparando-o para o difícil jogo eleitoral. Mas o time ainda não está completo e precisamos conquistar mais parceiros.
Precisamos, sobretudo, convocar e convencer a jogar do nosso lado o mais importante ator desde jogo: o eleitorado natalense.
Engana-se quem pensa que aos (às) eleitores (as) está reservado apenas um lugar na arquibancada. Vencerá a disputa quem incorporar de forma ativa e participativa as mais amplas parcelas da população neste processo eleitoral. A unificação das direções partidárias em torno de um mesmo projeto é o passo inicial. E que passo foi dado ao conquistarmos a unidade das principais lideranças da base aliada do Presidente Lula! Agora, precisamos conquistar a sociedade natalense. E para isto é necessário que a unidade alcançada nas cúpulas partidárias se capilarize e se reproduza nas nossas bases de apoio, em cada bairro e cada rua de Natal.
Unificados que estamos em torno de um nome precisamos, urgentemente, nos unificarmos em torno de projetos político-administrativos para Natal. O debate programático ocupará um lugar decisivo na atual disputa eleitoral. A sociedade natalense se mobilizará ao lado das forças políticas que se identifiquem e dialoguem com seus anseios e aspirações”.
Disse mais, no mesmo texto.
“… Só depende de nós a elaboração e a apresentação de uma plataforma política capaz de convencer e apaixonar a sociedade natalense, criando um amplo movimento político, cultural e social que reafirme o desejo de avançar rumo à conquista de uma cidade saudável, socialmente inclusiva e economicamente sustentável.
E não partimos do zero. Os programas em andamento em nossa cidade, os projetos elaborados ao longo dos anos pelo PT e pelos partidos aliados, as propostas apresentadas pelos então pré-candidatos Hermano Morais e Rogério Marinho devem servir de ponto de partida para a elaboração de nosso Programa de Governo, concreto e realizável. Aliás, penso que deve-se convidar Hermano e Rogério para ocuparem lugares de destaque em nossa campanha.
Quando apresentei minha pré-candidatura ao partido, eu disse que minha intenção era animar a militância petista e contribuir para que o nosso partido assumisse um papel protagonista em nossa cidade, realizando os sonhos de toda uma geração de militantes. E disse, ainda, que abriria mão de minha postulação para qualquer petista que somasse mais apoios do que eu”.
Os resultados nos mostram que não tivemos competência política para construir os caminhos necessários à vitória. Que cada um de nós assuma a sua parcela de responsabilidade nesse processo.
Quanto à questão das candidaturas proporcionais, todos(as) sabem qual foi minha posição. Fui contra a aliança na proporcional porque previa que ocorreria o que, de fato, veio a ocorrer: perdemos nossa representação na Câmara.
Agora é achar o rumo, corrigir os erros e navegar nessas àguas turvas das derrotas. É de nosso ofício e opção sempre seguir em frente.
Vamos que vamos, que 2010 está bem alí, a nos espreitar.
Mineiro
Na minha opinião a maior causa da derrota do PT em Natal foi na escolha do candidato e a aliança com o PMDB(Garibaldi, Henrique e cia….). Confiou demais nos índices de popularidade do governo Lula. Espero que em 2010 tenhamos mais habilidade em construir uma candidatura sólida com alianças adequadas para quem sabe reverter esse quadro municipal.
Parabéns pela excelente análise.
Este texto deve ser objeto de discussão nas bases do partido, caso se tenha a pretensão de avançar na política do nosso estado.
Vcs. tavam pensando que o povo ia engolir esse oportunismo de vcs??? Então vc e Fátima passam anos e anos “combatendo as oligarquias” e, de repente, passam a chamar Henrique de “companheiro”, beijam a mão de Garibaldi e andam de braços dados com Wilma, como se nada tivessem dito no passado… E cadê a autocrítica que deveriam ter feito perante o povo para explicar a aliança. Mais uma vez o PT do RN calça sapato alto e se acha a bala que matou Kennedy. A verdade é que vcs. acreditavam que qualquer um seria eleito com o apoio do Lula… Até podia ser qualquer um, menos a antipática e pedante da Fátima, que não conseguia atrair ninguém para um abraço durante as caminhadas. Acho que Lula iria eleger qualquer um sim, pois isso me faz recordar o caso Aldo Tinoco, um ilustre desconhecido que derrotou o “companheiro” Henrique Eduardo. A soberba, a vaidade, a falta de humildade derrotaram vcs. Bem feito, o castigo foi pouco…
Amigo Mineiro, quero parabenizá-lo pela sabedoria com que tratou essa matéria intitulada “duas razões para a derrota”. Feliz e oportuna essa explanação sobre o assunto em pauta. Concordo, principalemente, com o parágrafo em que você fala do distanciamento do PT para com a sociedade. Tenho feito essa análise há tempos e vejo que não estou sozinho nesse barco. Ainda tocante ao assunto, creio que precisamos dar “espaço” as pessoas que querem contribuir com o projeto do PT.
Por fim, quero destacar esse parágrafo que acho ser de suma importância nesse momento: “E isto só será possível se realizarmos um debate o mais aberto e franco possível, onde todos(as) possam ser ouvidos(as). Aqui, então, a primeira tarefa para as nossas direções partidárias: instaurar o processo de avaliação das eleições 2008, incentivando a participação não só de nossos(as) filiados(as) mas, também, de simpatizantes e amigos(as) do partido.”
Abraços,
Ruston Liberato – filiado ao PT desde 1989
O DISTANCIAMENTO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS E ESSA PARCERIA SUBMISSA AO GOVERNO DE VILMA DE FARIA VAI LEVAR, NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES,A EXTINÇÃO DO NOSSO QUERIDO PARTIDO DOS TRBALHADORES.REFLITA, FERNANDO MINEIRO! NÃO É UMA CRITICA, MAS UM BOM CONSELHO…
Meu amigo Mineiro;
Permita-me fazer apenas uma observação particular e pessoal.
Para mim, o candidato do PT tinha de ter sido você, ou na pior das hipóteses nossa querida Virginia, uma técnica de mãos cheias, competente e, acredito, preparada para fazer uma boa administração.
Mas você, amigo Mineiro, era o nome do PT nesta campanha, e não a companheira Fátima.
A companheira não tinha apenas a rejeição grande, bem como estava com seu nome muito desgastado junto a população e a militância.
Diferente de Fátima, você é mais carismático, você tem um discurso melhor, conhece melhor a cidade e estava mais bem preparado para encarar esta.
Eu via o semblante da companheira Fátima, e se via claramente como estava carregado, como ela estava cansada… nem mesmo ela acreditava na própria campanha.
Na minha opinião, amigo, o PT errou na escolha do candidato. Subestimou outros nomes. Cometeu um suicídio político.
Espero de todo coração, que o PT reaja com força, e mostre a mesma garra e determinação que fizeram do PT o que o PT é hoje.
Um grande abraço;
Gustavo Szilagyi
Fátima Bezerra é uma excelente parlamentar e disso não tenho dúvida. Agora, ficar pondo culpa num e noutro é muito fácil, então, tome esta:quem derrotou Fátima formam as forças retrógradas do PT natalense que não aceitavam o nome da parlamentar para disputar a prefeitura. Se fosse Mineiro a derrota teria sido maior.
Eu sou Petista de coraçao, e fiquei muinto desepcionado com a aliança com o PMDB de Garibalde e Henrique Alves, vi colegas do PT que n votarao em Fatima por conta desa aliança com o PMDB, eu n sou analista politico, mais intendo que o PT vem perdendo suas carcteristicas ao n lansar candidatos proprios e ficar em baixo da saia de desses caciques que so pençao em usar o poder em beneficio proprio, eu me lembro da campanha em que Rui Pereira foi candidato ao Governo do estado fio uma das campanha mais lindas que vi, honesta pautada na etica coerencia respeito para o povo do RN acho que o PT deve ter candidato proprio para o Governo do Estado e se fizer essa aliança denovo vai sofrer outra derota e deixando o PMDB mais forte no estado o PT vai perder mais Agripino vai se eleger e Vilma sera derotada…
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Alex Soares 9/10/2008 às 2:29 pm
O PT , no Brasil e ,principalmente, no RN, tem-se preocupado em ganhar eleições , obter cargos e participar da administração Estadual e municipal. Nos últimos anos, a população de Natal não tem como entender qual é a verdeira proposta do PT para a cidade e o que tem sido feito para realizar. Eu até entendo que os outros partidos não se preocupem em deixar isto claro. Se vc entrar em uma escola estadual , um posto de saúde ou precisar da segurança pública. Não há como defender nenhuma esfera de governo. Espero que as propostas e os caminhos para realizá-las fiquem mais claras.