Fernando Mineiro 03 de agosto de 2009, às 6h06

Recentemente, em um evento da Secretaria de Educação Estadual, a Governadora Vilma de Farias presenciou atos de violência explícita entre grupos de estudantes de duas escolas públicas de Natal.

Não fosse por isso – os atos de violência terem sido praticados em frente ao Secretário de Educação, Rui Pereira e à Governadora – penso que este tema, o da violência nas escolas, continuaria onde sempre esteve: entre os jovens que se enfrentam e se agridem quase que diariamente, longe dos olhares das autoridades. Quando noticiados, o são nas seções de polícia da imprensa local.

Em recente conversa com Rui Pereira, surpreendendo-o, disse-lhe que foi providencial que ele e a Governadora presenciassem o que tem se tornado acontecimento rotineiro entre grupos de estudantes de duas das maiores escolas públicas de Natal, o Winston Churchil e o Atheneu. Quem sabe agora, a partir deste triste episódio, possamos pensar em políticas públicas de combate à violência e pela construção da PAZ NAS ESCOLAS.

Violência nas escolas é a contra-face da violência que hoje contamina os espaços extra-muros escolares. E as violências, principalmente as que ocorrem entre jovens, vêm se ‘naturalizando’. A sociedade toma conhecimento de que elas existem quando se transformam em espetáculo. E é assim mesmo no plural. Violências, porque muitas e variadas. Que vão desde a agressão entre estudantes à agressão a professores(as), da depredação do patrimônio à formas hodiendas de preconceito.

Situações que deveriam nos sensibiliazar e mobilizar, pela dimensão que estão tomando nas escolas públicas.

E não adianta pensar que esse quadro se reverterá apenas com medidas repressisas e punitivas. O caminho não é colocar a polícia dentro das escolas, como pensam alguns. A sitiação é muito mais complexa. Requer política pública específica, continuada e permanente.

E foi pensado em contribuir para o enfrentamento desse problema que, entre 2004 e 2005, elaboramos um projeto de lei que tratasse do tema. E a partir de um amplo debate com vários setores, aprovamos a Lei 8.814, de março de 2006.

Esta Lei ‘Dispõe sobre a criação do Programa PAZ NAS ESCOLAS, de ação interdisciplinar e de participação comunitária para a prevenção e controle da violência nas escolas da Rede Públia de Ensino do Rio Grande do Norte’.

Infelizmente, como outras tantas leis, esta também não saiu do papel.

E ela impediria as cenas presenciadas pelo Secretário e pela Governadora ? Certamente não.

Mas, se implementada, hoje teríamos um Programa Estadual, institucionalmente criado que, de forma permanente e articulada com a comunidade, estaria definindo política pública interdisciplinar para combater as violências nas escolas.

Estou convencido de que este é o caminho.

Ivo viu a uva, nos ensinavam os antigos livros de alfabetização.

E Rui e Vilma viram a violência. Que esta visão seja um start para que o Rio Grande do Norte construa sua política pública de PAZ NAS ESCOLAS.

Fernando Mineiro
Deputado Estadual PT/RN

2 Comentários para “RUI E VILMA VIRAM A VIOLÊNCIA”

Aparecida 7/8/2009 às 5:44 am


Caro Mineiro,

A primeira medida de um programa contra a violência é fazer com que a escola funcione. Faltar professores, turnos inteiros serem fechados por faltarem condições mínimas para o seu funcionamento – inclusive professor, não ter biblioteca decente minimamente, não chegarem livros às crianças e aos jovens, porque estão jogados em um depósito (a biblioteca da escola)que nunca é aberto… Essas são as violências que dão origem às presenciadas por Vilma e Rui. QUE TAL BATER NA TECLA DO FUNCIONAMENTO DA ESCOLA PÚBLICA? Se isso for feito, quem sabe não seja o início do fim da barbárie?

Ricardo 13/8/2009 às 4:41 am


Apesar do primeiro parágrafo da reportagem lida no site No Minuto sobre o assunto citar apenas as escolas públicas, alguns comentários de meu filho me fazem acreditar que este assunto também se estende às escolas particulares. E por que acreditar que estaria circunscrito às escolas públicas? Mas acho que isso é corrigido ou complementado no mesmo primeiro parágrafo, lá no final, quando cita as instituições de ensino no RN. Só do RN?

Isso me traz a certeza de que as proibições de frequentar festas pagas que imponho ao meu filho são acertadas, com algumas concessões como processo de experimentação de limites. Por quê? Porque são palco marcado com data e hora para estes mesmos tristes eventos, em linha com a violência extra-muros citada pelo Mineiro, sendo tratada pelos jovens como natural, algo como evento socio-cultural. Óbvio que essa decisão é recebida com muito protesto, indignação, acusação de castrador, autoritário, controlador e tudo o mais que a imaginação puder identificar como meio de expressão verbal ou corporal. Reações naturais de quem está vendo que “todo mundo pode, só eu que não!” ou “todos os pais deixam, só vocês que são assim!”.

Tudo muito lamentável, principalmente quando o pano de fundo citado é o futebol, que deveria ser o objeto das torcidas dos times, ambientado ainda pelas músicas dessas “torcidas” (muitas são hinos de guerra, violência etc.).

E guardo na memória que eu gostava muito de futebol. Sem estranhamento para a conjugação verbal porque tenho dúvidas se ainda gosto. Nunca fui fã de torcer por um time (o que fez com que eu mudasse facilmente nesta área, mas como uma criança de 7 anos não viraria a casaca vendo o Zico jogar em 1980/81/82, mesmo sem ligar muito para time?), gostava mesmo era de jogar nas ruas de paralelepípedo, nos campos de terra batida (com o devido cuidado para não cair nos buracos que os jogadores de bolinha de gude faziam), e sempre me imaginando com a camisa 10. Não lembro se gostava de escolinha paga, preparação para campeonato, essas coisas… Isso tudo lá pelo subúrbio do Rio de Janeiro, na Ilha do Governador, há pouco tempo atrás. Sem compromisso com nada, nem mesmo de fazer o gol ou ganhar o jogo, pois muitas vezes isso significava que o jogo iria acabar (15 min ou 2 gols! E entra os próximos times, quando muitos disputavam o mesmo espaço). E passavam-se horas de jogo, pausa para almoçar após ouvir o assobio do meu pai, lá de longe (puro condicionamento para ouvir o impossível, pois meu pai não assobiava tão alto assim), volta correndo para entrar na fila para jogar, horas jogando, bolhas nos pés, unha levantada pela topada, continua jogando, volta para casa mancando, e rindo, e falando do jogo, e rindo, e provocando o amigo, e rindo, bebendo água na bica do quintal da casa do amigo, e rindo…

Os que gostam de torcer por times ou jogadores devem estar pensando naqueles que fizeram do futebol uma arte, motivo de alegria, de diversão, até mesmo de demonstração de eficiência física e estratégica…

No “túmulo”, ou onde a crença de cada um localize os “mortos” ou as individualidades que animaram as personalidades sobre as quais o mundo de hoje tem notícia, devem chorar diversos destes artistas.

Entre os ditos “vivos”, infelizmente falta uma campanha maciça, voluntária ou patrocinada pelas autoridades públicas e esportivas, via televisão/jornais/rádio para mudar essa realidade. Mas alguns destes também devem estar tristes, espero, não é possível que estejam indiferentes.

Tudo muito lamentável, exceto minhas fracas lembranças.

Outras constatações amenas, mas não menos interessantes:

1) O meu assobio é ainda mais fraco que o do meu pai ou o meu filho mais velho é um pouco surdo;
2) Começo a ver o que vivi no Rio de Janeiro como algo distante na memória;
3) Estou entrando na fase em que algumas reportagens me fazem lembrar da infância e da adolescência, mesmo que para falar dela precise dar uma rebuscada, preenchendo lacunas esquecidas. Será que alguém, algo desmemoriado como eu, não usa esse artifício criativo?

Sei não, viu…

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