Fernando Mineiro 23 de outubro de 2009, às 7h07

Em termos da disputa eleitoral, o ano de 2010 já começou. Tanto nacional como estadualmente, pelo menos para nós, que nos dedicamos diretamente à politica partidária, o ano que ainda será inaugurado no calendário gregoriano, em janeiro, já vai avançado.

A despeito de não despertar interesse e atenção da maior parte da população, que está mais preocupada e ocupada com as lidas ditadas pelas demandas cotidianas e com as respostas que os poderes públicos dão, ou não, às suas carências e necessidades, o 2010 eleitoral está à solta.

Nacionalmente, Dilma Roussef consolida sua pré-candidatura à Presidência da República ao firmar acordo entre o PT e os partidos da base de sustentação do Presidente Lula. A oposição tucano-demo-midiazona, sem eixo e bandeiras, implementa força total em suas fábricas de factóides e Ciro e Marina buscam viabilizar seus nomes e projetos. É inevitável que o embate se dê entre as possibilidades de  consolidação e avanços rumo a um país soberano e mais justo ou a volta ao passado. Aposto na primeira hipótese.

Também em nosso Estado, a disputa provavelmente, será polarizada entre situação e oposição. Repito aqui o que venho dizendo há um certo tempo: Iberê Ferreira (PSB) e Rosalba Ciarline (DEM) só não serão candidatos a governador em 2010 se não quiserem.

Iberê, em recente entrevista, assumiu definitivamente sua condição de pré-candidato e Rosalba fará o mesmo mais dia menos dia. Até porque a oposição não tem outro nome a apresentar e Rosalba não tem nada a perder. Além disso, José Agripino não tem como não aceitar a candidatura de Rosalba.

As pré-candidaturas de Robinson Faria (PMN), João Maia (PR) e Carlos Eduardo (PDT) serão mantidas? Como candidaturas de situação está claro que não. E este dado da realidade política é por demais óbvio, goste-se ou não dele. Se hoje fazem parte da base de sustentação da Governadora Vilma (com excessão do PDT de Carlos Eduardo) a pergunta é: farão parte da base de sustentação do Governo Iberê? Como se sabe, Iberê Ferreira assumirará o Governo do RN, de março a dezembro de 2010. E já anunciou que será o candidato da situação, pelo PSB.

Portanto, as candidaturas a Governador do RN nas eleições de 2010 de Robinson, João e Carlos, cada uma com sua representatividade específica, só se manterão se se constituirem como candidaturas de oposição aos Governos Vilma e Iberê. A despeito de ser legítimo e possível que cada partido lance seus candidatos a governador, a leitura da atual realidade política estadual, da correlação de forças e dos interesses, me faz acreditar que é mais provável que nenhum dos três nomes citados seja candidato a governador do RN agora em 2010. Esta situação poderá sofrer mudanças? Lógico. Afinal, estamos falando de política.

Em se consolidando as candidaturas de Iberê, pela situação, e de Rosalba, pela oposição, não é possível prever de qual lado ficarão  Robinson, João e Carlos Eduardo. Desnecessário dizer que desejo, torço e trabalho para que nenhum deles apoie a candidatura da oposição conservadora. Mas não ficarei surpreso se, como tantas outras vezes, os fatos políticos contrariarem meu desejo.

Mas o que desejo mesmo é que este nhenhenhém em torno do nome de fulano ou beltrano dê lugar ao debate acerca da elaboração de propostas e projetos rumo ao desenvolvimento econômico, social e cultural deste Rio Grande do Norte.

Eu e as torcidas do Alecrim, do ABC, do América, dos Potiguaras, dos Canindés, dos Tapuias e outras tantas tribos que formam o povo do RN ficaríamos muito mais animados com as eleições estaduais de 2010.

Mineiro

P.S.: O que penso acerca da posição do PT-RN sobre 2010, a despeito de já ser de conhecimento público, será assunto de próximo artigo.

,
Um Comentário para “2010, o ano que já começou (I)”

petronio spinelli 24/10/2009 às 5:53 am


acho muito importante este debate,portanto fico feliz com qualquer espaço aberto para faze-lo sem se restringir as discuções fechadas, parabéns por trazer este tema no “seu blog” permitindo emissão de opiniões. quero aproveitar e fazer alguns comentarios sobre o texto.
preliminarmente trata-se de um texto analitico sem opinião pessoal clara, que como prometido deverá vir em outro artigo, no entanto revela um tendencia forte ao conformismo com a situação estabelecida pelos os outros agentes da politica tradicional do estado, dando a impressão nitida que o PT(nossoPartido) não tem muito como ser protagonista do processo; segundo, voltar a falar e criticar a “fulanização” do processo, numa contradição ao que o PT fez ao chamar os auto-candidatos para o debate ,fulanizando-o( este foi o maior ato de falanização, e exige uma autocritica severa) antes de conversas com partidos ou de elaboração coletiva de proposta, e por ultimo quero alertar do erro profundo de reforçar um maniqueismo bipolarizador, que traz dois equivocos importante, 1- estabelece o parametro nacional como norteador da quadro local,o que diferente do que o texto insinua, nos aproximaria muito mais do PMDB, PR e PMN e do proprio PDT(que estão com Dilma), do que do PSB com sua pre candidatura de Ciro, 2- na contraposição coloca todo o grupo dito de situação, a reboque e submissão a vaidade e ao projeto individual(de novo a fulanização)da governadora, num alinhamento sem respaldo politico ou adminidtrativo, o “mal”ou seja a “candidatura de Rosalba”, por ser suporte ao projeto anti lula local, justifica o”endeusamento” de um governante imcompetente, centralizador, que atrofia seus aliados( e quase sumiço do PT é o maior exemplo disto, sei que com sua inteligencia vc não pode negar esta questão obvia)e de uma ètica…..(sinto saudade quando isto era de fato bandeira sua, hoje engole as coisas de tomba, ibere, filho da governadora, etc,etc) .
Opinião: o PT precisa retormar um rumo correto, baseado nos projetos coletivo, includente, que possa dar suporte real aos avanços do governo lula, sair de imediato de arrapuca de submissão( que acredito que ainda está por equivoco e não por oportunismo ou interesse por cargos como uma parcela cada vez maior da população acha). lançar candidatura propria?, propor uma frente progessista com o PDT e o PC do B?, discutir com PMDB uma nova candidatura daquele partido?
” os fins deputado não pode justificar os meios”, vc já ensinou muito isto não foi?

Deixe seu comentário

    Categorias

    © Todos textos deste website são posições pessoais do Dep Fernando Mineiro e possuem um registro Creative Commons License