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26.05.2009

Movimentos ampliam mobilização por uma nova lei do petróleo

A Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) realizou uma reunião extraordinária nesta segunda-feira (25), na sede nacional da CUT, com lideranças da Federação Única dos Petroleiros (FUP) para organizar o calendário de luta da campanha por uma nova lei do petróleo, pela retomada do monopólio estatal e em defesa da Petrobrás pública e com compromisso social.

A exemplo da mobilização que reuniu 5 mil pessoas no Rio de Janeiro no último dia 21, foram marcadas manifestações unitárias do movimento sindical e social em Natal-RN nesta terça (26), Curitiba (2), Brasília (3) e Manaus (11). Em São Paulo, a data será fechada na próxima sexta-feira. Em Recife, o ato aconteceu na manhã de hoje, em frente à Câmara de Vereadores. Além das atividades já marcadas, as entidades estão coletando assinaturas para um Projeto de Iniciativa Popular que estabelece um novo marco regulatório para o petróleo.

"Vamos ampliar a convocação em defesa do nosso petróleo e gás contra os que querem destruir a imagem da Petrobrás, tanto dentro do Brasil como lá fora, para paralisar os investimentos da empresa e sabotar o desenvolvimento do país", declarou o presidente da CUT, Artur Henrique. De acordo com o dirigente cutista, as alegações dos privatistas e entreguistas - "que querem transformar a CPI em palanque contra o interesse nacional" - de que falta fiscalização, não correspondem à realidade, "pois além do Tribunal de Contas da União fiscalizar a empresa, há mecanismos como a própria Controladoria Geral da União, Receita Federal e outros, ligadas ao próprio mercado".

Para o coordenador da FUP, João Antonio de Moraes, o objetivo do PSDB e do DEM com a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobrás é "travar a lei do petróleo e impedir que o Brasil tenha o controle sobre as imensas riquezas do pré-Sal". Na verdade, sublinhou, é uma sabotagem que atende aos interesses do cartel transnacional que explora o setor, pois "o pré-Sal é a grande fronteira petrolífera descoberta depois dos anos 80 e como os países centrais estão sem saída na questão energética, cada vez mais dependentes do nosso petróleo, se voltam para cá".

"Defendemos a retomada do controle da sociedade através do Estado para que o país possa saldar sua dívida social histórica, constituindo um Fundo Social Soberano para ser invertido em saúde, educação e moradia para o povo brasileiro", acrescentou Moraes.

Soberania nacional

Para Antonio Carlos Spis, da executiva nacional da CUT e da CMS, "há um eixo patriótico nas manifestações, que extrapolam as entidades, e ganham uma dimensão nacionalista". "Daí a importância de mudar o marco regulatório para resgatarmos a luta histórica em defesa do monopólio estatal do petróleo, que dialoga com a importância da anulação do leilão de privatização da Vale e da reestatização da Embraer. Para nós, esta é uma luta pela soberania nacional", acrescentou Spis.

Representando o MST, (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), Igor Felippe lembrou da "campanha cívica" que ganhou as ruas nos anos 40 e 50 com a conformação de comitês em vários municípios. "Esta é uma lição que anima a todos e deve seguir nos orientando para casar a questão patriótica do petróleo com datas como o 7 de setembro", destacou Igor, defendendo mais atenção dos movimentos à coleta de assinaturas para o Projeto de Iniciativa Popular por uma nova lei do petróleo.

Dirigente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Rafael Tokarski, denunciou que "as CPIs têm sido o principal instrumento da oposição", e que, especificamente esta, contra a Petrobrás, "mira com precisão a luta que está colocada" em defesa do controle nacional sobre as riquezas do pré-Sal. "Neste momento em que precisamos unir o Brasil e o povo brasileiro para barrar a crise, com um Estado investidor, a oposição assume uma postura anti-patriota contra o patrimônio público", disse.

Na avaliação do vice-presidente nacional da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), "este é o momento de nos jogarmos de corpo e alma nesta batalha pela soberania nacional, em defesa da Petrobrás, do Brasil e do povo brasileiro". "Com a instalação da CPI, os entreguistas e privatistas querem abrir caminho para açambarcar as nossas riquezas e isso nós não vamos permitir", sublinhou.

Integrante da coordenação da FUP e da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Wagner Caetano informou que no Amazonas, Manaus e Parintins realizarão manifestações em defesa da Petrobrás. "A defesa do nosso petróleo é um tema envolvente, apaixonante, que unifica a todos os brasileiros contra a direita, que quer entregar a nossa riqueza aos estrangeiros. Pautamos a proposta de uma empresa 100% pública, com a recompra das ações da Petrobrás que estão no exterior", acrescentou.

O secretário de Política Sindical da CUT Nacional, Vagner Freitas, acredita que é preciso aproveitar a oportunidade para unificar as ações dos movimentos sindical e social em defesa do patrimônio público nacional. "Defendemos um modelo de desenvolvimento com controle público, enquanto os tucanos querem mesmo é privatizar o patrimônio que é de todos, como fizeram recentemente com a CESP e a Nossa Caixa, em São Paulo".

A secretária Nacional da Mulher Trabalhadora, Rosane Silva, destacou o significado "da aliança estratégica com os movimentos sociais que lutam lado a lado na construção de um projeto democrático-popular", frisando o papel da mobilização para derrotar os privatistas.

Fonte: www.cut.org.br

Tags: Petrobras

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