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03.09.2009

Natal será tomada pela força das letras femininas: Seminário Mulher e Literatura

Durante os dias 2, 3 e 4 de setembro, Natal vai sediar, no Hotel Praia Mar, o 13º Seminário Nacional Mulher & Literatura e o 4º Seminário Internacional Mulher e Literatura, promovidos pela Universidade Potiguar (Unp) e parceiros de peso como a UFRN, UERN, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) e o Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy "Centro de Formação de Profissionais da Educação " (IFESP).

O evento já é um sucesso: são mais de mil inscritos de norte a sul do Brasil e de outros países, como Estados Unidos e Portugal. A temática feminina na literatura será debatida em uma rica e diversificada programação de conferências, mesas-redondas, minicursos e comunicações. (Programação completa em anexo). Vários trabalhos inscritos tratam sobre os autores e autoras potiguares, entre eles Zila Mamede. Sua obra O Arado completa 50 anos. O seminário terá a participação de renomadas conferencistas: Carole Boyce Davies, Constância Lima Duarte e Susan Stanford Friedman.

Está é a primeira vez em que será homenageada uma escritora natalense, a poetisa Diva Cunha, e também uma estrangeira, a portuguesa Maria Tereza Horta, ensaísta, ficcionista e também poetisa. “Diva cunha foi escolhida por sua poesia revelar a alma feminina e amor à terra Natal”, afirma Conceição Flores, coordenadora do evento. O seminário chega a Natal pela segunda vez. A primeira foi há 16 anos e contou com a presença de Rachel de Queiroz, que lançou, na ocasião, o Memorial de Maria Moura.

HOMENAGEADAS

Diva Cunha

Poetisa e ensaísta nascida em Natal, a 10 de dezembro de 1947. Estudou no Colégio Imaculada Conceição e formou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Cursou a Pós-Graduação na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, defendendo a dissertação de mestrado Dom Sebastião: a metáfora de uma espera, publicada em 1979. O primeiro livro de poesia, Canto de página, foi lançado em 1986 e revelou uma poetisa madura e com dicção própria. Seguiram-se A palavra estampada (1993), Coração de lata (1996) e Armadilha de vidro (2004). Foi professora de Literatura Portuguesa da UFRN até aposentar-se e atualmente integra o Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Norte. A par da atividade literária, vem realizando pesquisas na área de Mulher & Literatura, tendo publicado, em parceria com Constância Lima Duarte, Iniciação à poesia do Rio Grande do Norte (1999), Literatura feminina do Rio Grande do Norte: de Nísia Floresta a Zila Mamede (2000), Literatura do Rio Grande do Norte - Antologia (2002) e Via-Láctea de Palmira e Carolina Wanderley (2003). Atualmente, prepara tese de doutorado a ser defendida na Universidade de Barcelona (Espanha). Leia alguns poemas.

Maria Teresa Horta

Poetisa, ficcionista, ensaísta e jornalista, Maria Teresa Horta nasceu em Lisboa, a 20 de maio de 1937. Frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa, foi a primeira mulher dirigente cineclubista do seu país e faz da escrita a sua profissão. Descendente de escritoras pioneiras, conta, pelo lado materno, com a poetisa Marquesa de Alorna; pelo paterno, com a romancista Teresa Margarida da Silva e Orta. Dirigiu o suplemento «Literatura e Arte» do jornal A Capital, fez crítica literária no semanário Expresso e chefiou a redação da revista Mulheres. É colaboradora de diversos jornais e revistas portuguesas, entre eles o Jornal de Letras. Participou com Fiama Hasse Paes Brandão, Luísa Neto Jorge, Gastão Cruz e Casimiro de Brito, no movimento literário Poesia 61, e é coautora, com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, do livro Novas cartas portuguesas. O romance, publicado em 1972, foi retirado das livrarias pela PIDE (polícia política do regime fascista) e suas autoras foram julgadas sob a acusação de atentado ao pudor; está traduzido em diversas línguas. É autora de inúmeros livros de poesia, dentre os quais figuram os seguintes títulos: Espelho inicial (1960); Tatuagem, in Poesia 61 (1961); Cidadelas submersas (1961); Verão coincidente (1962), cujo último poema, que dá o título ao livro, foi adaptado ao cinema pelo realizador António Macedo; Amor habitado (1963); Candelabro (1964); Jardim de Inverno (1966); Cronista não é recado (1967); Minha senhora de mim (1971), apreendido pela PIDE; Educação sentimental (1975); Mulheres de Abril (1977); Poesia completa, volumes I e II (1983); Os anjos (1983); Minha mãe, meu amor (1986); Rosa sangrenta (1988); Destino (1997); Só de amor (1999); Antologia pessoal: 100 poemas (2003); Inquietude (2006) e Poesia reunida (2009), uma compilação integral da sua obra poética publicada. No Brasil, publicou Cem poemas: [antologia pessoal] + 22 inéditos (2006); e Palavras secretas (2006). Na França, em edição bilingue da Actes Sud, publicou o poema Les sorcières/ Feiticeiras (2006), que foi musicado pelo compositor António Chagas Rosa, e cuja encenação pelo Ensemble Musicatreize, de Marselha, conquistou o prémio Victoire de la Musique (2007). Na ficção escreveu e publicou: Ambas as mãos sobre o corpo (1970); Novas cartas portuguesas, em coautoria (1971); Ana (1974); Ema (1985); Cristina, conto (1985); e A paixão segundo Constança H (1994). Organizou, com José Carlos Ary dos Santos, Cancioneiro da esperança, publicado em 1971 e está representada nas antologias Fantástico no feminino e Contos, ambas publicadas em 1985, em Intimidades (2005) e O prazer da leitura (2008). Recebeu, em 2004, das mãos do Presidente Jorge Sampaio, as insígnias de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, reconhecimento da República portuguesa pela sua atuação cívica e literária. Em 2008, o prêmio Paridade entre mulheres e homens na Comunicação Social foi-lhe atribuído pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, da União Europeia.

CONFERENCISTAS

Carole Boyce Davies

Formada pela Universidade de Maryland (1972), é mestre pela Universidade de Howard (1974) e doutora pela Universidade de Ibadan, na Nigéria (1978). Fez parte do corpo docente de inúmeras universidades, entre elas da Universidade Internacional da Flórida, onde criou e dirigiu durante 3 anos a área de Estudos do Novo Mundo Africano, reconhecida internacionalmente pelos trabalhos ali desenvolvidos. Atualmente leciona na Universidade de Cornell, em Ithaca, nos Estados Unidos. Com vasta publicação sobre escrita de mulheres negras e diáspora africana e caribenha, destacamos os seguintes títulos: Black Women, Writing and Identity: migrations of the subject (Routledge, 1994), Left of Karl Marx, Claudia Jones, Black/Communist/Woman (Duke University Press, 2007). Com diversos artigos publicados, colaborou na edição das seguintes antologias críticas: Ngambika: studies of women in African Literature (Africa World Press, 1986); Out of the Kumbla. Caribbean Women and Literature (Africa World Press, 1990); Moving Beyond Boundaries (New York University Press, 1995): International Dimensions of Black Womens Writing (volume 1) e Black Womens Diasporas (volume 2). É coeditora com Ali Mazrui e Isidore Okpewho de The African Diaspora: african origins and new world identities (Indiana University Press, 1999) e Decolonizing the Academy. African Diaspora Studies (Africa World Press, 2003). É a organizadora de dois volumes The Encyclopedia of the African Diaspora (Oxford: ABC-CLIO, 2007). Atualmente está escrevendo uma série de reflexões pessoais intituladas Caribbean Spaces. Between the Twilight Zone and the Underground Railroad, que tratam da questão da identidade negra caribenho/americana, além de estar preparando uma edição dos escritos de Claudia Jones intitulada Beyond Containment: Claudia Jones, Activism, Clarity and Vision.

Constância Lima Duarte

Professora Doutora de Literatura Brasileira da Faculdade de Letras da UFMG, pesquisadora da temática Mulher e Literatura. Foi professora da UFRN de 1979 a 1996, onde organizou, em 1993, o VI Seminário Nacional Mulher & Literatura. Em 2001, coordenou o XI Seminário Nacional Mulher & Literatura. Dentre os livros publicados, estão: Direitos das mulheres e injustiça dos homens, de Nísia Floresta Brasileira Augusta. (1989); Revista Via-Láctea, 1914-1915 (Edição fac similar, 1993); Nísia Floresta: vida e obra (1995); Cintilações de uma alma brasileira, de Nísia Floresta. Introdução e notas. Edição Bilíngüe (1997); A lágrima de um Caeté, de Nísia Floresta. Introdução, estudo e notas (1997); Itinerário de uma viagem à Alemanha, de Nísia Floresta Brasileira Augusta. Introdução e Notas. Trad. Francisco das Chagas Pereira (1997),8. Iniciação à Poesia do Rio Grande do Norte - Antologia (Org. com Diva Cunha Pereira de Macêdo). (1999); Literatura do Rio Grande do Norte - Antologia (Org. com Diva Cunha Pereira de Macêdo) (1999); Literatura feminina do Rio Grande do Norte - de Nísia Floresta a Zila Mamede. (Com Diva Cunha Pereira de Macêdo) (2001); Literatura do Rio Grande do Norte - Antologia (Org. com Diva Cunha Pereira de Macedo (2001); Cartas de Nísia Floresta e Auguste Comte (2002). Mulheres em Letras: antologia de escritoras mineiras (2008) e coautora de Mulheres de Minas: lutas e conquistas (2008). Organizou a Coleção Mulher & Literatura, composta de cinco volumes (co-autoria) publicada em Belo Horizonte pela UFMG (2002).

Susan Stanford Friedman

Diretora do Instituto de Pesquisas em Ciências Humanas e titular da Cátedra Virginia Woolf de Estudos das Mulheres da Universidade de Wisconsin-Madison. Co-fundadora do Círculo de Pesquisas em Estudos Transculturais e da Margem. Autora de Psyche Reborn:The Emergence of H.D. (1981, 1987), Penelopes Web: Gender, Modernity, H.D.s Fiction (1990), e Mappings: Feminism and the Cultural Geographies of Encounter (1998); co-autora de A Womans Guide to Therapy (1979), co-editora de Signets: Reading H..D. (1991), e editora de Joyce: The Return of the Repressed (1993), Analyzing Freud: Letters of H.D., Bryher, and Their Circle (2001). Os seus estudos abrangem a literatura de língua inglesa dos séculos XX e XXI, com ênfase em Teoria Feminista, Estudos transnacionais e da diáspora, Teoria da narrativa, Modernismo, Psicanálise e Poética. Atualmente pesquisa sobre Modernismo Planetário e Modernidades do Império, Nação e Diáspora, e Além da miscigenação e das "tribos": narrativas da "nova migração". Coordena a Unidade de Estudos Culturais em Contextos Globais.

Tags: Cultura, Literatura, Mulheres

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