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23.09.2009

Salizete Freire Soares: “A literatura é o eixo integrador na formação de qualquer pessoa”

Salizete Freire Soares é uma escritora que educa. Autora de quatro livros infantis, entre eles o recém-lançado “A lua no céu e ela na terra”, ela diz não conseguir desvincular “a professora da que produz o texto”. Com experiência de 18 anos em sala de aula e exercendo o cargo de subcoordenadora do Ensino Fundamental, na Secretaria de Educação do Estado, Salizete considera a literatura uma ferramenta fundamental no processo contínuo da alfabetização. Nesta quinta, 24, a escritora participa do Festival Literário de Pipa  e no dia seguinte sexta-feira, 25, lança, às 16h30, “A lua no céu e ela na terra”, no auditório da Paulinas Livraria. Confira a conversa da escritora com a Assessoria do Mandato.

Nos fale um pouco sobre seu novo livro “A lua no céu e ela na terra”. De que ele se trata?

Bem, “A lua no céu e ela na terra” é, na verdade, um retrato das brincadeiras de infância, quando há 50 anos era normal as crianças tomarem a benção e terem um diálogo mais direto com a lua, de brincar, de pedir proteção, de observar as quatro estações. O livro está centrado nisto, mas também aborda a relação feminina da poesia e da feminilidade da lua. A relação da mulher com a lua no corte de cabelo, na gravidez, na fase romântica... A lua nova pra criança, a lua crescente na juventude, a lua cheia no processo de reprodução e a lua minguante quando a gente está na fase de fechamento da vida, que é a morte, o fim ou pode ser o recomeço, dependendo da postura que a nós tomemos.

Então o livro aborda as várias fases da vida de uma mulher?

Sim. Fazendo esta relação com a lua, com as fases lunares.

Quantos livros você já lançou?

Com este é o quarto livro. Lancei os outros três no final dos anos 90 e começo de 2000. Eles foram resultados do meu trabalho como professora formadora. São livros que saíram do laboratório do trabalho. Eu ensinava no Instituto de Formação de Professores, como professora do curso de Pedagogia e na Universidade Federal com o programa Pró Básica. E como isto se tratava muito de produção de texto e nós líamos muitas teorias que fundamentavam a ciência da pedagogia e da educação, então na nossa produção recorríamos a este referencial teórico. Foi um trabalho experimental porque foi feito neste período de formação de professores

Seu primeiro livro foi lançado quando?

Em 1996. Não havia editora. Lançamos por um Parque Gráfico, numa edição bem artesanal, mas tiramos mil cópias e vendemos todas para as escolas daqui.

Como sua experiência como professora te ajuda na hora de escrever?

A escrita está galgada no que a gente lê como fundamento e no que a gente acredita como ideologia. Então eu não consigo desvincular a professora da que produz o texto, da que escreve. Está tudo muito atrelado. A minha formação ideológica e profissional me constitui na hora de escrever, na hora de falar, na hora de produzir. Eu tenho como referencial de mundo estas questões, essas teorias e a literatura que eu leio. Tenho muita paixão pela leitura literária.

Qual sua formação?

É em letras. Foi o que me deu muita base para mergulhar de cabeça na literatura e até ter uma visão diferente dos clássicos e da literatura universal. O que eu mais gostei nestes últimos seis anos foi trabalhar com os programas do livro. Isso foi muito prazeroso e contribuiu muito com a minha formação acadêmica. Hoje estou trabalhando com ensino fundamental, mas não disfarço que a minha queda maior é quando tem um programa que está vinculado à literatura, à formação de leitor e a biblioteca escolar.

Qual, de acordo com sua experiência, a vantagem do uso da literatura no ensino infantil?

Eu diria que a literatura é o eixo integrador na formação de qualquer pessoa porque à medida que você fala e alfabetiza, levando em consideração que alfabetização é processo e que este processo não acaba nunca, a verticalização deste processo se dá via literatura. É através dela que eu conheço as culturas e as culturas vão me dizer como, quando e por que as coisas acontecem. E no eixo da história como eu vejo a minha própria vida, a história do outro, da comunidade e do ser humano.

Em 2007, você teve suas obras editadas pelo Instituto Ayrton Sena, não foi?

Não foi bem o instituto que editou, ele adotou. Eu liberei os livros para que eles pudessem editar. Então uma editora de Santa Catarina, Cidadela, fez a impressão. Foram os livros “Bicho pra que te quero”, “Planta pra que te quero” e “Vida pra que te quero”.

Reportagem - Ramilla Souza

Fonte: Assessoria do Mandato

Tags: Educação, Literatura, noticias do mandato

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Comentários

  • Edilma moreira postado em 28/07/10 - 22:35

    Escritora potiguar que será homenageada no mês de outubro por todos que fazem parte da Escola Estadual Prof° Luís da Câmara Cascudo.

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